segunda-feira, 13 de maio de 2019

VI Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba - 60 anos da Revolução Cubana


Convenção acontecerá em 30 de maio de 2019 na ADUFCE – Associação de Docentes da Universidade Federal do Ceará, a partir das 18h30, localizada na Av. da Universidade, nº 2346 – Benfica – Fortaleza/CE. 


A VI Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba é um evento bianual organizado pela Casa da Amizade Brasil-Cuba do Ceará (Associação Cultural José Martí) e conta com o apoio do Consulado Cubano no Brasil para o Nordeste; CEBRAPAZ/CE; FMFi – Fórum de Mulheres no Fisco; e, Instituto Tonny Ítalo – InsTI, Comitê Cearense de Solidariedade à Venezuela, além de vários outros grupos e movimentos sociais. 

 Programação:

VI Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba

                60 anos da Revolução Cubana 

19h – Apresentação das Artistas: Rebeka (poesia)
         
Cumpadre Barbosa (músical)

19h25 – Conferência com Dr. Inocêncio Uchôa: 60 anos de Resistência da Revolução Cubana

19h45 – Conversa com a escritora Gláucia Lima: A Mulher na Revolução Cubana

20h05 – Palestra com Dr. Francisco Malta: Bloqueio a Cuba na Atualidade

20h25 – Cônsul de Cuba

20h45 – Intervenções da Plenária

21h15 – Coquetel de Encerramento

 

Participe conosco do Evento!


domingo, 13 de janeiro de 2019

REVOLUÇÃO CUBANA - 60 anos de Luta e Resistência!


“La Lucha por la vida, la Voz de la ilusión, la Luz de la utopia, Ésto es La Revolución”
¡Patria o Muerte, Venceremos!


A REVOLUÇÃO CUBANA COMPLETA 60 ANOS
_Frei Betto*

      1º de janeiro de 2019, 60 anos da Revolução Cubana. Quem diria? Para a soberba dos serviços de inteligência dos EUA a ousadia dos barbudos de Sierra Maestra, ao livrar Cuba da esfera de domínio de Tio Sam, era um “mau exemplo” a ser o quanto antes apagado das páginas da história. A CIA mobilizou e treinou milhares de mercenários e Kennedy mandou-os invadir Cuba (1961). Foram vergonhosamente derrotados por um povo em armas. E, de quebra, a hostilidade da Casa Branca levou Cuba a se alinhar à União Soviética. O tiro saiu pela culatra. Mexer com Cuba passou a significar aquecer a Guerra Fria, como o demonstrou a crise dos mísseis (1962).

      Tio Sam não botou as barbas de molho. Transformou cubanos exilados em Miami em terroristas que         derrubaram aviões, explodiram bombas, promoveram sabotagens. E investiu uma fortuna para alcançar o mais espetacular objetivo terrorista: eliminar Fidel. Foram mais de 600 atentados. Todos fracassados. Fidel faleceu na cama, cercado pela família, em 25 de novembro de 2016, pouco antes de a Revolução completar 58 anos. Havia sobrevivido a 10 ocupantes da Casa Branca que autorizaram operações terroristas contra Cuba: Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho.

      Fracassada a invasão da Baía dos Porcos, impôs-se o bloqueio a Cuba (1961). Medida criticada por três papas em visita a Havana: João Paulo II (1998), Bento XVI (2012) e Francisco (2015). Porém, a Casa Branca não escuta vozes sensatas. Prefere se isolar, ao lado de Israel, a cada ano em que a Assembleia da ONU vota o tema do bloqueio. Pela 27ª vez, em 2018, 189 países se manifestaram contra o bloqueio a Cuba.

      Com a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da União Soviética (1989), os profetas da desgraça prenunciaram o fim do socialismo cubano. Não falharia a teoria do dominó... Equivocaram-se. Cuba resistiu, suportou o Período Especial (1990-1995) e se adaptou aos novos tempos de globalização.

      Muitos se perguntam: por que os EUA não invadiram Cuba com tropas convencionais (já que os mercenários foram derrotados), como fez na Somália (1993), Granada (1983), Afeganistão (2001) e Iraque (2003), Líbia (2011), Síria (2017), Níger (2017), e Iêmen (2018)? A resposta é simples: uma potência bélica é capaz de ocupar um país e derrubar-lhe o governo. Mas não derrotar um povo. Esta lição os estadunidenses aprenderam amargamente no Vietnã, onde foram escorraçados por um povo camponês (1955-1975). Atacar Cuba significaria enfrentar uma guerra popular. Após a humilhação sofrida no Sudeste Asiático, a Casa Branca prefere não correr o risco.

      Por que Cuba incomoda a tantos que associam, indevidamente, capitalismo e democracia? Porque Cuba convence as pessoas intelectualmente honestas, que não se deixam levar pela propaganda anticomunista fundada em preconceitos, e não em fatos, que, apesar de toda a campanha mundial contra a Revolução, na ilha ninguém morre de fome, anda descalço, é analfabeto com mais de 6 anos de idade, precisa ter dinheiro para ingressar na escola ou cuidar da saúde, seja uma gripe ou uma complexa cirurgia do coração ou do cérebro. No IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU, que abrange 189 países, Cuba ocupa melhor lugar (68º) que a maioria dos países da América Latina, incluído o Brasil (79º lugar).
      Enquanto o capitalismo enfatiza, como valor, a competitividade, a Revolução incute no povo cubano a solidariedade. Graças a isso Cuba despachou tropas, nas décadas de 1960 e 1970, para ajudar nações africanas a se libertarem do colonialismo europeu e conquistarem sua independência. Raúl Castro foi o único chefe de Estado estrangeiro a ter direito a discursar nos funerais de Mandela, porque o governo da         África do Sul reconheceu a importância da solidariedade cubana para o fim do apartheid.

      Graças à solidariedade, professores e médicos cubanos se espalham por mais de 100 países, trabalhando nas áreas mais pobres e remotas. E graças aos princípios éticos da Revolução, em Cuba não se vê famílias debaixo de pontes, crianças de rua, mendigos estirados pelas calçadas, cracolândia, máfias de drogas. Os delatores da Odebrecht denunciaram todos os agentes públicos corrompidos nos países da América Latina nos quais a empresa atuou. Menos Cuba, onde ela construiu o porto de Mariel.         Algum delator quis defender Cuba? Óbvio que não. Apenas nenhum cubano se deixou corromper.

      O povo cubano chegou ao paraíso? Longe disso. Cuba é uma nação pobre, porém decente. Apesar do bloqueio e de todos os problemas que ele acarreta, seu povo é feliz. Por que então muitos saem de Cuba? Ora, muitos saem de qualquer país que enfrenta dificuldades. Saem da Espanha, da Grécia, da Turquia, do Brasil, da Venezuela e da Argentina. Mas quem sai? De Cuba, aqueles que, contaminados pela propaganda do consumismo capitalista, acreditam que o Eldorado fica acima do Rio Grande. Os mesmos que se regozijam com a emigração de uns poucos cubanos jamais se indagam por que nunca houve em Cuba uma manifestação popular contrária ao governo, como acaba de ocorrer na França (jalecos amarelos) e também recentemente na Tunísia (2011), Egito (2011), Turquia (2016), e anteriormente nos EUA (Seattle, 1999).

      Haveria um Cuba soldados ou guardas em cada esquina? João Paulo II declarou que lhe chamou a atenção não ver veículos militares nas ruas ao visitar Havana, como observou em tantos outros países. A maior arma da resistência cubana é a consciência da população.

      A Revolução Cubana comemora 60 anos! É muito pouco para um país triplamente ilhado: pela geografia, pelo bloqueio e por ser o único da história do Ocidente a adotar o socialismo. E quando os cubanos comemoram, não olham apenas para o passado de tantas gloriosas conquistas entre muitos desafios e dificuldades. Inspirados por Martí, Che, Fidel e Raúl, os cubanos sabem que a Revolução ainda é um projeto de futuro. Não só para a Cuba, mas para toda a humanidade, até que as diferenças (idioma, cultura, sexo, religião, cor da pele etc.) não sejam mais motivo de divergências, e a desigualdade social figure nos arquivos de pesquisas apenas como uma abominável referência histórica, como é hoje a escravatura.

      Longa vida à Revolução Cubana!

_Frei Betto* é escritor, autor de Paraíso Perdido – Viagens pelo Mundo Socialista (Editora Rocco), entre outros livros.

🙋🏽‍♀🇨🇺🙋🏽‍♂ Aqui ninguém se rende!

Golias sem sossego60 anos da Revolução Cubana

A Bíblia é repleta de histórias em que o impossível, em verbo, se faz carne para vencer o que se costuma dar por inevitável. É assim no Êxodo, na luta contra as forças do faraó, que põe fim à escravidão do povo hebreu no Egito; é assim quando o moleque franzino Davi derruba o poderoso gigante Golias; quando a jovem sem terra é escolhida como mãe do filho de Deus; quando a ressurreição retira dos opressores a última palavra, demonstrando que a maior das repressões é impotente ante o anseio de um povo por sua libertação. Para a história, o “impossível” é logo ali.

A ditadura derrubada

Localizada a 120 quilômetros da costa sudeste dos Estados Unidos, Cuba é logo ali. Diz-se que à noite dá até para enxergar as luzes de Miami.
Na década de 1950, a ilha se encontrava submetida a uma violenta ditadura. Os ricos dos Estados Unidos e seus aliados, entre eles os grandes proprietários de terra, haviam promovido um golpe de Estado e colocado no poder um cara chamado Fulgêncio Batista. Batista fazia o que Herodes fez no tempo de Jesus: massacrava o povo em nome dos interesses do império. A classe trabalhadora não tinha direito nem ao pão nem à greve. No campo, quem suava para fazer a terra produtiva, não possuía terra para plantar. Cuba não pertencia aos cubanos.
Foi então que, em 26 de julho de 1953, um grupo de militantes, liderado por um jovem advogado chamado Fidel Castro, rebela-se e tenta tomar de assalto o Quartel Moncada, uma das principais bases militares do regime. Perdem a batalha. Alguns são torturados, mortos, olhos arrancados. Fidel é preso.
Nesse instante, a Igreja Católica, grande proprietária de terras e detentora do monopólio escolar, divide-se. O cardeal de Cuba Manuel Arteaga e Betancur havia celebrado a instauração da ditadura, mas alguns bispos, como Alberto Evelio Díaz, auxiliar de Havana, posicionam-se contrários ao autoritarismo e, inicialmente, apoiam os rebeldes.
Graças à pressão popular, Fidel, marxista e com reconhecida formação cristã, é solto em maio de 1955 e exilado no México, onde organiza o Movimento Revolucionário 26 de Julho. Lá conhece um jovem médico argentino, Ernesto Guevara, que se junta ao grupo. Em final de novembro de 1956, o pequeno barco Granma, com capacidade para 14 pessoas, parte com 82 combatentes em direção à ilha. A missão revolucionária é retomada.
Mal desembarcam, são metralhados do alto por aviões. Dos oitenta e dois, somente doze chegarão vivos ao dia do triunfo, que acontece em primeiro de janeiro de 1959, em meio a uma massiva festança popular que ganha as ruas. Fugêncio Batista foge, carregando consigo parte da riqueza que roubara do povo cubano.
Com a sensação do dever cumprido, o militante Mustelier fala a Che (apelido dado a Guevara) que pretende sair em visita familiar. O comandante responde incisivamente que não. “Che, mas a revolução já ganhou”; “Não! Ganhamos a guerra. A revolução começa agora”. Nos três dias seguintes, retornam a Cuba oitocentos exilados de vários lugares da América.
Aos 12 revolucionários sobreviventes, somaram-se inúmeros camponeses sem-terra. Aos 12, uniram-se a juventude e milhões de trabalhadores e trabalhadoras da cidade. Aos 12, incorporou-se a memória de incontáveis mártires da libertação. Sem esse encontro, a vitória não teria sido possível.

A ousadia de construir uma nova sociedade

Sem o menor apreço pela soberania de um povo por ele antes dominado, os Estados Unidos engrenam uma sequência incalculável de ataques terroristas. Criam um criminoso bloqueio que impede ou dificulta as transações comerciais com outros países, promovem ataques à bomba em fábricas, incêndios em lavouras e assassinatos. Só contra Fidel se registram mais de seiscentas e vinte tentativas frustradas de tirar sua vida.
A partir de abril de 1961, a Revolução passa a ser declaradamente guiada por ideais socialistas. O aprofundamento das transformações na estrutura social afeta “os interesses patrimoniais do clero e da oligarquia cristã”, que abandonam o país. O estranhamento da parte clerical não combina com a liberdade de culto conquistada com a Revolução. Como lembra Frei Betto, “todas as religiões, inclusive os cultos afro-cubanos – até então proibidos –, passam a ter os mesmos direitos”. E continua: “muito mais grave foi o drama dos leigos que, conflitados pela oposição dos bispos – mas convencidos da obra de justiça realizada pela Revolução –, preferiram optar por esta e, ao fazê-lo, tiveram que deixar de frequentar a Igreja. Muitos, porém, jamais perderam a fé”. Os diálogos entre governo e bispos seriam reabertos dezesseis anos mais tarde.
Como todo movimento popular, as difamações e mentiras vindas dos instrumentos que atuam a serviço do capital bombardeiam nosso imaginário de maneira contínua e programada, o que não isenta a Revolução Cubana de erros e contradições verdadeiras.
Erros nascem todos os dias. Alguns deles, heranças não superadas da sociedade antiga. Vários foram assumidos publicamente e corrigidos, como é o caso do tratamento abusivo contra homossexuais nos primeiros anos, reconhecido por Fidel, a partir do fortalecimento da luta LGBT.
Pouco antes da morte de Fidel, que acontece em novembro de 2016, a Revolução entra em novo período de transição. Raul Castro, velho combatente guerrilheiro, assume a direção, até a eleição de Miguel Díaz-Canel, em abril de 2018, ano em que a Assembleia Nacional aprova novo texto constitucional, onde se reafirma o caráter socialista da Revolução. Em fevereiro agora, o documento passará por referendo popular.
Entre as medidas políticas tomadas pelo governo neste período, há as que utilizam princípios do mercado para dinamizar a economia, prejudicada por mais de cinco décadas de bloqueio ianque. Decisão que alguns consideram deveras arriscada, por receio de se tornar um caminho sem volta.
Não é possível prever até onde vai a resistência do povo cubano num planeta tomado quase que de cabo a rabo pela lógica desumanizante do “só vale o que se tem”. Contudo, a massiva participação popular presente em todo o processo constituinte, mostra que o que está mesmo difícil de voltar é o capitalismo.
O novo presidente, Díaz-Canel, de 58 anos de idade, nasceu e se formou numa Cuba bem diferente daquela da época em que os cassinos e as empresas dos Estados Unidos é que mandavam, quando o país era chamado de “prostíbulo do caribe”.

O ser humano como óbvio

Frei Betto nos fornece um bom retrato da realidade ao afirmar que, para os ricos do mundo, Cuba é um inferno; para a classe média, um purgatório; mas, para a maioria da população, sobrevivendo em meio a tanta miséria, a cidadania cubana é um paraíso invejável.
Não é preciso ir muito longe para se ter uma noção do que diz o dominicano. Basta enxergar a cor negra da pele dos inúmeros médicos e médicas que vieram de lá trabalhar no Brasil, algo tão difícil de se ver em nossa elitização branca excludente. Como diz José Martí, precursor da soberania popular na ilha: “A melhor maneira de dizer é fazer.”
O que faz um pequeno país latino-americano, situado tão perto do maior império de todos os tempos, cercado de água e de agressões terroristas por todos os lados, sendo rota frequente de furacões, ter um dos melhores e mais universal sistema público de saúde do mundo, uma das melhores educações, sem analfabetismo, com índice de mortalidade infantil comparativamente tão baixo? O que faz esse povo ser tão solidário? Em 2010, no terremoto que vitimou centenas de milhares de vidas no Haiti, enquanto os Estados Unidos se preocupavam em enviar soldados, Cuba chegou primeiro com sua delegação de médicos. Por que? O que faz um país relativamente pobre não ter fome nem crianças dormindo nas ruas? Será um milagre? Países da África se libertaram da dominação colonial com o apoio irrestrito e desinteressado de uma Cuba que enfrentava invasões mercenárias contra seu próprio território. Como se preocupar assim com os outros, quando sua própria casa enfrenta problemas tão sérios? Como um povo consegue priorizar a liberdade diante de uma existência tão ameaçada? De onde vem essa fé? Quantas mães empobrecidas, espalhadas pelo mundo, puderam segurar seus filhos nos braços graças às mãos da medicina missionária cubana? Quanta esperança foi parida na América Latina, ensanguentada por golpes de Estado e ditaduras, por efeito desse testemunho de amor?
Em Cuba, a prioridade é o ser humano. Não acredita? Vai lá, ou procura no google. Quando a humanidade precisa ser convencida do óbvio, é sinal que as coisas não andam boas.

No desembarque do Granma, em meio ao barulho ensurdecedor de voos rasantes, bombas e rajadas de metralhadoras; diante de companheiros que tombavam mortos; na luta contra forças armadas imensamente mais poderosas; um grito de rebeldia irrompe o impossível: “Aqui ninguém se rende!” E de lá para cá, o gigante Golias nunca mais teve sossego.

_Por Thales Emmanuel, militante da Organização Popular – OPA.
Originalmente publicado em Informativo Redentorista.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

¡Grandes Mujeres de la Revolución Cubana!

SEM AS MULHERES, NÃO HÁ REVOLUÇÃO!
    "Vilma Espín Guillois semeou um caminho essencial para o empoderamento das mulheres cubanas."
                       
Vilma EspínEterna Presidenta, foi fundadora da Federação de Mulheres Cubanas - FMC
“Dia histórico e promissor”, Fidel Castro sobre a fundação da FMC
Em 23 de agosto de 1960, Fidel Castro preside o ato de constituição da Federação das Mulheres Cubanas, sendo eleita Vilma Espin à frente da organização, naquele dia, profere um discurso destacando o papel da mulher na Revolução, da qual Compartilhamos algumas frases desse discurso emocional (conferir em link abaixo).



Vilma Espín Guillois - Heroína da República de Cuba

Vilma Lucila Espín Guillois – nasceu em 07/04/1930 - Santiago de Cuba, faleceu em Havana em 18/06/2007. Personalidade importante do movimento revolucionário cubano, com o nome de guerra Deborah, foi uma notável combatente clandestina sob o comando de Frank País García, especialmente durante a revolta de 30 de novembro de 1956 em Santiago de Cuba, Mariela, a mulher que subiu à Sierra. Juntou-se ao Exército Rebelde na Sierra Maestra quando sua vida estava em perigo extremo na revolta urbana. Cumpriu função no exercício como Engenheira Química.
Alicia, Mónica e Déborah foram seus nomes na luta clandestina. Mariela, a mulher que escalou à Sierra. Todos esses pseudônimos protegiam a identidade de Vilma Lucila Espín Guillois, a jovem que não hesitou em lutar entre montanhas, na cidade e nas tribunas, porque acreditava em um país melhor, no poder do amor, da família, da justiça e da honestidade. Desde seu falecimento em 2007 sua presença não nos acompanha fisicamente, mas nas fotos, na memória de todos e em cada obra em que vive sua marca, seu sorriso franco, permanecem.
Vilma Espín, a mais bela Revolucionária
Este artigo foi escrito por Celia Hart Santamaría, filha de Haydeé Santamaría e Armando Hart, quando Vilma Espín morreu em 19 de junho de 2007. Nem quem inspirou estas palavras nem quem as escreveu estão fisicamente conosco, mas as mesmas palavras e os fatos que os tornaram possíveis continuam a nos inspirar.
A Mulher na Revolução
Com o triunfo da Revolução, Vilma encabeçou a unificação das organizações femininas para a formação da Federação de Mulheres Cubanas (FMC), em 23 de agosto de 1960. Integrou o Comitê Central do Partido Comunista de Cuba desde sua fundação em 1965. Deputada da Assembleia Nacional do Poder Popular desde a primeira legislatura, presidiu a Comissão Nacional de Prevenção e Atenção Social, a Comissão de Infância, da Juventude e da Igualdade de direitos da Mulher.

A mulher sempre foi protagonista na luta revolucionária. E um dos exemplos mais notáveis foi Vilma Espín.

Bem contada, a história se torna um emocionante relato, cheio de cor e habitada por uma infinidade de vozes e fatos. Há eventos de primeira magnitude, poderosos como a larva que brota de um vulcão. Eles apontam para um ponto de virada de um coração animado por conflitos que surgem em termos diferentes em cada época.
Vilma Espín, figura histórica da revolução cubana, também foi esposa do ex-presidente de Cuba, Raúl Castro.
À frente da Federação de Mulheres Cubanas (FMC), cargo vitalício que ocupava desde 1960, e como membro do Escritório Político e do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, Vilma Espín se tornou uma das mulheres com mais peso político e maior cota de poder da revolução. 
ENTREVISTA INÉDITA COM VILMA ESPÍN GUILLOIS
"...la vida, si me la pides"




Vilma Espín foi guerrilheira do Exército Rebelde na Sierra Maestra. Pouco depois da vitória da revolução, casou-se com Raúl Castro, ministro das Forças Armadas Revolucionárias e segundo homem na hierarquia cubana, com quem teve quatro filhos. Durante anos atuou na função de Primeira-dama em atos públicos, acompanhando o presidente Fidel Castro.

Vilma Espín morreu em Havana, em 18 de junho de 2007, aos 77 anos, vítima de uma longa doença.

A Direção do Partido Comunista e do Estado cubano fizeram uma vigília solene no teatro Karl Marx, em Havana.

Conforme a sua vontade, Vilma Espín teve seu corpo cremado. As suas cinzas foram depositadas no Mausoléu da II Frente Frank País, em Sierra Maestra, berço da revolução. A cerimônia teve honras militares.
Reconhecemos em Vilma, em Celia e em Haydée, paradigmas de valor incontestável, heroínas da Sierra e El Llano. Teríamos que saber muito mais sobre sua formação e a extensa anedota que ilustra sua ação concreta em combate e na fase de construção da nova sociedade. Sob a ditadura de Batista, o chamado do Moncada estava expandindo seu poder de convocação. Depois da queda de Frank País, as mulheres de Santiago não tiveram medo de desafiar a repressão. Nessa e em outras cidades, cumpriram tarefas da mais diversa natureza. Eles levantaram fundos, ofereceram abrigos, moveram armas. Eles enfrentaram perseguição, assédio e tortura. Por estarem na Serra, Fidel conseguiu superar os preconceitos machistas e formar o grupo de lutadores das Marianas.
La mujer en la Revolución
Com o triunfo da Revolução, a mulher cubana conquistou direitos que ainda constituem demandas pendentes em boa parte do mundo. Elas recebem o mesmo salário por trabalho igual. A maternidade goza de ampla proteção. Ascendem a responsabilidades de alto escalão. Portadores de uma tradição, eles continuaram a amadurecer durante todo esse processo. Responsável por novas responsabilidades, assumem uma dupla jornada de trabalho. Em seu trabalho silencioso (mães), elas constituem um dos pilares da sociedade.
"As Lutas de Vilma" - Leia a reflexão de Fidel (link abaixo)
Las luchas de Vilma

"Yo fui una vez" - Silvio Rodríguez 
Canção interpretada por Silvio Rodriguez, para o documentário "Mujeres de la guerrilla". Video clipe de Consuelo Elba, transmitido pela Mesa Redonda da Televisão Cubana. Niurka González na flauta.
Vilma Espín, Celia Sánchez, Delsa Puebla, Haydée Santamaría
Sem as Mulheres, não há Revolução!


Fontes Diversas, entre elas:
- Cuba Debate -
http://www.cubadebate.cu/etiqueta/vilma-espin-guillois/
- Etc.

_Organização e publicação: Gláucia Lima (escritora, editora do Blog: Ser İVoz!) – vice-presidente da Casa de Amizade Brasil/Cuba-CE e Coordenadora do FMFi – Fórum de Mulheres no Fisco.


Celia Sánchez – heroína do povo cubano
Conhecida como Celia Ester de los Desamparados, Célia Sánchez Manduley foi uma das mais próximas colaboradoras de Fidel, foi a primeira mulher a combater no Exército Rebelde e a principal promotora do pelotão feminino “Las Marianas”.
"Nós, rebeldes, recebemos muito crédito para vencer a revolução. Nossos inimigos merecem a maior parte do crédito, por serem covardes e idiotas gananciosos".
Celia Sánchez, Delsa Puebla, Vilma Espín, Haydée Santamaría
Celia Sánchez Ester de los Desamparados Manduley juntou-se ao Movimento 26 de Julho durante a Guerra de Libertação Nacional de Cuba, organizando, por orientação de Frank país, a rede clandestina de camponeses, que foi vital para a sobrevivência da guerrilha, iniciada com o desembarque no sul de Oriente em 02 de dezembro de 1956.


Celia teve papel destacado na criação, em setembro de 1958, do batalhão feminino Mariana Grajales, que operava na zona de La Plata, Sierra Maestra. As mulheres passaram a ocupar posições de combatentes nos confrontos do Exército Rebelde contra as forças militares da tirania de Batista.

Em Sierra Maestra, além de combater, Celia atuou como secretária e memória viva da guerrilha, pois guardava todos os documentos, papéis, anotações, palavras e discursos de Fidel, até as piadas que o Comandante contava em momentos de descontração. A quem considerava um exagero guardar tudo, ela afirmava: “Há muitos papéis sem importância hoje, mas para o futuro e para a história, serão de grande valor”. Após o triunfo de 1º de janeiro de 1959, foi secretária do Conselho de Estado, deputada do Parlamento, membro do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e da Direção Nacional da Federação de Mulheres Cubanas. Destacou-se como difusora da história, das artes, da moda, da comida e de todas as formas de manifestação da nacionalidade cubana.
Morreu, vitimada por um câncer, no dia 11 de janeiro de 1980. O monumento erguido em sua homenagem no Parque Lênin, no subúrbio de Havana, está sempre coberto por centenas de flores que ela tanto amava. Seu nome está nas ruas, nas praças, escolas e nas inúmeras Celias que, em todo o país, carregam consigo a homenagem das suas mães à heroína do povo cubano.   

Celia: a Flor Nativa
Ela nasceu em Cuba em 1920, filha de médico e tinha oito irmãos. Célia Sánchez Manduley desde cedo revelou duas tendências: liderança e simpatia. Muito jovem, ingressou no Partido do Povo Cubano, por influência do pai que fazia oposição ao governo Fulgêncio Batista. Todos conhecem a história de Fidel Castro, mas poucos sabem que ela esteve no centro da Revolução Cubana.
Célia usou o seu poder de comunicação para organizar um movimento de guerrilha libertadora. O movimento criou corpo e em 1957, ela entrou no Exército Rebelde tornando-se uma brava guerrilheira e fiel aliada de Fidel Castro.
Sendo amiga íntima de Fidel, passou a organizar a vida dele e era a única de ousava criticá-lo. Foi a primeira guerrilheira da Sierra Maestra, e isso, abriu oportunidades para outras mulheres seguir seu exemplo. Tendo poder e sabedoria para comandar, esteve à frente no ataque ao Quartel Uvero, saindo-se vitoriosa ao exército de Batista. Dizem que as grandes decisões políticas partiam dela. Além do comando, Célia controlava tudo, inclusive as finanças do grupo.
Tinha a mania de anotar, guardar, escrever, tudo o que acontecia sob a justificativa de “preservar a história”. Fez parte do Comitê Central do Partido Comunista Cubano. Era ferrenha defensora das artes, da moda, da gastronomia e das flores da região, tudo em nome da história. Amava tanto as flores que, Fidel a chamava de ‘flor autóctone” (nativa).
Morreu de câncer em 1980 e a casa onde nasceu agora é museu. Ganhou um mausoléu em Havana onde está sempre coberto de flores. É tida como heroína. E mais: é impossível escrever a história de Fidel Castro sem citar Célia Sanchez. Guerrilheira sim, mas sem perder a ternura.

Celia Sanchez não foi apenas a mais importante recrutadora e organizadora da Revolução Cubana, ela também foi a guerrilheira mais corajosa e mais determinada nas montanhas de Sierra Maestro durante os três anos cruciais em que Fidel Castro estava na prisão ou no México. Sem Celia não teria havido nenhuma revolução para Fidel se juntar.


__Organização e publicação: Gláucia Lima (escritora, editora do Blog: Ser İVoz!) – vice-presidente da Casa de Amizade Brasil/Cuba-CE e Coordenadora do FMFi – Fórum de Mulheres no Fisco.

Ser İVoz! https://t.co/NDcvjPsBJF

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Cuba, o Programa Mais Médicos no Brasil (PMM) e Nota de Solidariedade

Cuba anuncia retirada de seus profissionais da medicina do programa MAIS MÉDICOS após declarações desrespeitosas do governo eleito... 
A mais justa homenagem
Na noite desta quinta-feira (22) a Casa da Amizade Brasil-Cuba em conjunto com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Fortaleza e entidades parceiras promoveram um ato de homenagem em agradecimento aos médicos cubanos que começam a deixar seus postos de trabalho em retorno a Cuba.
Após mística inicial, a mesa de abertura do evento contou com falas de representantes de várias entidades e representantes de movimentos sociais e da sociedade civil que lamentaram a partida dos profissionais que há cinco anos trabalhavam em diversas cidades do Ceará.
Todos reforçaram que é preciso mais do que nunca de resistência diante dos ataques que virão a partir de 2019, com desejo de que a saída dos médicos seja apenas um "até breve", mensagem que emocionou a todos presentes.
Após exibição de um vídeo com imagens do trabalho dos médicos e com depoimentos de pacientes, os profissionais presentes receberam flores e um diploma em homenagem aos serviços prestados. A Casa da Amizade Brasil-Cuba do Ceará deseja um bom retorno a todos e agradece a cada um pelo compromisso humano e responsabilidade no trato com cada pessoa tratada ao longo desses anos. (matéria e vídeos: Alan Dantas e Gilda Barroso - Rádio Web Rebelde)
¡Muchas Gracias!

Atenção:
Estes são depoimentos colhidos durante a homenagem a estes valorosos profissionais aqui em Fortaleza! 
 Médicos cubanos são homenageados em Fortaleza
A Casa de Amizade Brasil Cuba e o Sindicato dos Comerciários de Fortaleza promoveram na noite desta quinta-feira, 22/11, uma homenagem aos médicos cubanos que trabalharam na Capital e no interior do Ceará durante anos no Programa Mais Médicos. Em cerimônia especial na sede do Sindicato, os profissionais receberam certificado, simbolizando a gratidão pela atuação de solidariedade ao povo Cearense no qual melhorou consideravelmente a qualidade de vida das pessoas e sua saúde. 
Na mesa de abertura durante a sessão especial para homenagear os médicos cubanos que atuaram em missão na Capital e regiões do Ceará foram chamados para compor a mesa:
• Sebastião Costa – Secretário Geral do Sindicato dos Comerciários;
• Eunice Bezerra – Presidente da Casa de Amizade Brasil Cuba;
• Gláucia Lima – Presidente do InsTI - Instituto Tonny Ítalo;
• Francisco José de Oliveira – Diretor da FETRACE;
• Dra. Tereza Braga – Representante do CEBRAPAZ;
• Dr. João Almeida – Representante do MST;
• Dr. Emanuel Fonseca – Representante dos Médicos pela Democracia;
• Dr. Odorico Monteiro – Presidente do PSB – CE (da Criação do Mais Médicos).
Para uns dos membros da Casa de Amizade Brasil Cuba, o Sr. Antônio Ibiapino, conhecido carinhosamente como “Comandante”, disse que os cubanos fizeram um trabalho excelente e que deu resultados. "Eles trouxeram a solidariedade como princípio e entendem a saúde como um direito das pessoas”
O Secretário Geral do Sindicato dos Comerciários de Fortaleza, Sebastião Costa destacou em sua fala, a solidariedade e compromisso dos médicos cubanos em prol da população mais carente “o exercício profissional desses companheiros(as) é maravilhoso a dedicação e carinho que cuida os seus pacientes e exemplo a ser seguido. Sabemos o quanto é difícil o caminho. Deixo registrados nossa gratidão e muito obrigado a todos(as).” Disse Sebastião.
Para o sindicato, a luta por uma saúde pública de qualidade pelo fortalecimento do SUS, por atendimento básico, por prevenção e equipamentos em pleno funcionamento, além das melhorias nas condições gerais da saúde do nosso país continua.
No final da homenagem houve uma moção de aplausos que foram feitas aos médicos cubanos pelo exercício profissional, ético e humanitário inserido dentro do Programa Mais Médicos, no qual abrangeu ações conjuntas entre Brasil e Cuba e faziam parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do SUS. Na ocasião, também foram entregues massagens escritas aos companheiros(as) irmãos Cubanos. Uma médica Venezuelana também participou e recebeu as homenagens.
Convênio:
Os Programas Mais Médicos (PMM) são compostos por um conjunto de medidas que visam melhoras no atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele prevê a contratação de médicos brasileiros e estrangeiros para regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais. A chegada dos médicos cubanos para atuar no programa se deu por meio de um convênio intermediado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O Mais Médico alcançou 72,8% dos municípios brasileiros, beneficiando 63 milhões de pessoas. Os programas Mais Médicos têm 18.240 profissionais - sendo 8.332 cubanos, segundo o governo do país brasileiro. De acordo com Cuba, seus médicos atuam em 4.058 municípios, cobrindo 73% das cidades brasileiras.
No Ceará, 118 municípios serão atingidos. De acordo com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), no mês de outubro havia 1.229 profissionais no Ceará pelo Mais Médicos. Desse total, 448 são cubanos, a maioria atuando em áreas de vulnerabilidade, reservas indígenas e distritos distantes.
Médicos cubanos nos municípios do Ceará:
21 - Morada Nova
19 - Iguatu
15 - Fortaleza
13 - Itapajé
11 - Granja e Limoeiro do Norte
10 - Acaraú e Acopiara
9 - São Benedito, Sobral, Tamboril e Viçosa do Ceará
8 - Camocim e Guaraciaba do Norte
7 - Crateús, Icó, Ipu, Parambu e Tianguá
6 - Bela Cruz, Cedro, Ibiapina, Ipueiras, Itarema, Marco e Uruoca
5 - Independência, Pacajus, Reriutaba, Santa Quitéria e Senador Pompeu
4 - Baturité, Itatira, Jaguaribe, Monsenhor Tabosa, Moraújo, Morrinhos, Nova Russas, Pereiro, Poranga, Tauá e Ubajara
3 - Amontada, Ararendá, Cariré, Chorozinho, Horizonte, Iracema, Irauçuba, Itapipoca, Itapiúna, Jaguaretama, Miraíma, Mombaça, Piquet Carneiro, Quiterianópolis, Quixeramobim, Santana do Acaraú e Várzea Alegre
2 - Altaneira, Assaré, Barroquinha, Canindé, Cariús, Carnaubal, Coreaú, Deputado Irapuan Pinheiro, Forquilha, Frecheirinha, Hidrolândia, Jaguaribara, Meruoca, Mucambo, Novo Oriente, Pacatuba, Palmácia, Pedra Branca, Pentecoste, Pires Ferreira, Quixadá, Russas, São Gonçalo do Amarante, Solonópole e Tabuleiro do Norte
1 - Alcântaras, Arneiroz, Barreira, Boa Viagem, Campos Sales, Capistrano, Catunda, Caucaia, Chaval, Choró, Croatá, Cruz, Ererê, Fortim, Graça, Ipaporanga, Jaguaruana, Jucás, Lavras da Mangabeira, Madalena, Maranguape, Martinópole, Mulungu, Ocara, Orós, Pacoti, Palhano, Paracuru, Pindoretama, Saboeiro, Senador Sá, Tururu, Umirim e Uruburetama
5 - Distrito Sanitário Especial Indígena.
Total: 448 profissionais Cubanos sem os médicos cubanos. A saída de Cuba do programa significa risco de desassistência, especialmente em áreas afastadas de grandes centros. No Estado, profissionais cubanos atendem em 118 municípios. (
matéria: Wanessa Canutto/JPMTE 2456)
 
NOTA DE SOLIDARIEDADE AOS MÉDICOS CUBANOS
A Casa de Amizade Brasil-Cuba do Ceará, diante dos fatos que envolveram a retirada dos médicos cubanos do Programa Mais Médicos em nosso país, vem de público manifestar a sua profunda indignação e repúdio em face da postura desrespeitosa e irresponsável do presidente eleito do Brasil que, atendendo aos desígnios do império americano, ataca a dignidade dos profissionais cubanos de forma a provocar possível rompimento de relações diplomáticas com o Governo de Cuba, não se importando que de sua conduta advenha um desastre humanitário de graves proporções, atingindo milhões de brasileiros pobres das periferias das cidades e dos rincões mais distantes e de difícil acesso em nosso país, principalmente as aldeias de indígenas e quilombolas.
Tal atitude revela o despreparo do Presidente eleito para o cargo e a sua subserviência à política de hostilidade do governo norte-americano em relação a Cuba, atendendo a interesses que não os do povo brasileiro. Trata-se de mais um vexame da política internacional que vem sendo adotada pelo governo golpista de Michel Temer e do futuro governo brasileiro. Cobre de vergonha a nós, povo brasileiro, uma política tão rasteira e covarde, revelando o caráter reacionário e conservador do governo que sai e do que entrará, atendendo a interesses estranhos ao nosso povo.
Ao longo dos anos em que atuaram em nosso território, em regime de cooperação internacional, os médicos cubanos, com sua vasta experiência em medicina básica e formação humanista, realizaram milhões de atendimentos em cerca de três mil municípios brasileiros, muitos dos quais nunca tinham tido um atendimento médico adequado, realidade alterada com a presença e o preparo desses profissionais, homens e mulheres, formados pela Revolução Cubana, com a missão de salvar vidas em qualquer parte do mundo, principalmente nas comunidades mais pobres não atendidas pela medicina tradicional.
Toda solidariedade e agradecimento aos médicos cubanos pelo desempenho de sua missão humanitária em nosso país. Cumpriram com honra, eficiência e determinação a tarefa internacionalista de cuidar da saúde de milhares de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. A não continuidade da assistência desses profissionais trará prejuízos incalculáveis.
Em nome destas pessoas a Casa de Amizade Brasil Cuba do Ceará agradece aos valorosos médicos cubanos pela atuação no Programa Mais Médicos e pede desculpas pelo tratamento injusto, incivilizado e anti-diplomático por parte do futuro Presidente do Brasil.
Viva a Medicina Internacionalista de Cuba!
Viva a Amizade entre os povos!
Pela unidade dos Povos Latinoamericanos!
✊🏼💜🤝

¡Hasta la victoria, siempre!

HOMENAGEM AOS MÉDICOS CUBANOS NO CEARÁ


A Casa de Amizade Brasil-Cuba no Ceará CONVIDA para nesta quinta-feira, dia 22.11.2018 às 19h no Sindicato dos Comerciários (Av. Tristão Gonçalves) participarem de uma singela, mas significativa homenagem aos médicos cubanos que trabalharam no Programa Mais Médicos aqui no Ceará e que estarão retornando à Ilha nos próximos dias.

Contamos com a presença de todos que se solidarizam a esta causa.
 Grata,
Diretoria da Casa de Amizade Brasil-Cuba no Ceará 🇨🇺🤝🏽🇧🇷 

DECLARAÇÃO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PÚBLICA - CUBA

O Ministério da Saúde Pública da República de Cuba, comprometido com os princípios solidários e humanistas que durante 55 anos têm guiado a cooperação médica cubana, participa desde seus começos, em agosto de 2013, no Programa Mais Médicos para o Brasil. A iniciativa de Dilma Rousseff, nessa altura presidenta da República Federativa do Brasil, tinha o nobre propósito de garantir a atenção médica à maior quantidade da população brasileira, em correspondência com o princípio de cobertura sanitária universal promovido pela Organização Mundial da Saúde.

Este programa previu a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para trabalhar em zonas pobres e longínquas desse país.
A participação cubana nele é levada a cabo por intermédio da Organização Pan-americana da Saúde e se tem caracterizado por ocupar vagas não cobertas por médicos brasileiros nem de outras nacionalidades.

Nestes cinco anos de trabalho, perto de 20 mil colaboradores cubanos ofereceram atenção médica a 113 milhões 359 mil pacientes, em mais de 3 mil 600 municípios, conseguindo atender eles um universo de até 60 milhões de brasileiros na altura em que constituíam 88 % de todos os médicos participantes no programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.

O trabalho dos médicos cubanos em lugares de pobreza extrema, em favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador de Baía, nos 34 Distritos Especiais Indígenas, sobretudo na Amazônia, foi amplamente reconhecida pelos governos federal, estaduais e municipais desse país e por sua população, que lhe outorgou 95% de aceitação, segundo o estudo encarregado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais.

Em 27 de setembro de 2016 o Ministério da Saúde Pública, em declaração oficial, informou próximo da data de vencimento do convênio e em meio dos acontecimentos relacionados com o golpe de estado legislativo-judicial contra a Presidenta Dilma Rousseff que Cuba “continuará participando no acordo com a Organização Pan-americana da Saúde para a implementação do Programa Mais Médicos, enquanto sejam mantidas as garantias oferecidas pelas autoridades locais”, o que até o momento foi respeitado.

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, fazendo referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-americana da Saúde e ao conveniado por ela com Cuba, ao pôr em dúvida a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa a revalidação do título e como única via a contratação individual.

As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis que não cumprem com as garantias acordadas desde o início do Programa, as quais foram ratificadas no ano 2016 com a renegociação do Termo de Cooperação entre a Organização Pan-americana da Saúde e o Ministério da Saúde da República de Cuba. Estas condições inadmissíveis fazem com que seja impossível manter a presença de profissionais cubanos no Programa. Por conseguinte, perante esta lamentável realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba decidiu interromper sua participação no Programa Mais Médicos e foi assim que informou a Diretora da Organização Pan-americana da Saúde e os líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa.

Não aceitamos que se ponham em dúvida a dignidade, o profissionalismo, e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de seus familiares, prestam serviço atualmente em 67 países. Em 55 anos já foram cumpridas 600 mil missões internacionalistas em 164 nações, nas quais participaram mais de 400 mil trabalhadores da saúde, que em não poucos casos cumpriram esta honrosa missão mais de uma vez. Destacam as façanhas de luta contra o ébola na África, a cegueira na América Latina e o Caribe, a cólera no Haiti e a participação  de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias “Henry Reeve” no Paquistão, Indonésia, México, Equador, Peru, Chile e Venezuela, entre outros países.

Na grande maioria das missões cumpridas, as despesas foram assumidas pelo governo cubano. Igualmente, em Cuba formaram-se de maneira gratuita 35 mil 613 profissionais da saúde de 138 países, como expressão de nossa vocação solidária e internacionalista.
Em todo momento aos colaborados foi-lhes conservado seu postos de trabalho e o 100 por cento de seu ordenado em Cuba, com todas as garantias de trabalho e sociais, mesmo como os restantes trabalhadores do Sistema Nacional da Saúde.

A experiência do Programa Mais Médicos para o Brasil e a participação cubana no mesmo, demonstra que sim pode ser estruturado um programa de cooperação Sul-Sul sob o auspício da Organização Pan-americana da Saúde, para impulsionar suas metas em nossa região. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde qualificam-no como o principal exemplo de boas práticas em cooperação triangular e a implementação da Agenda 2030 com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Os povos da Nossa América e os restantes do mundo bem sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais.

O povo brasileiro, que fez com que o Programa Mais Médicos fosse uma conquista social, que desde o primeiro momento confiou nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, a sensibilidade e o profissionalismo com que foram atendidos, poderá compreender sobre quem cai a responsabilidade de que nossos médicos não possam continuar oferecendo sua ajuda solidária nesse país.

Havana, 14 de novembro de 2018.


"A vida de um só Ser Humano vale mais que todo o ouro do homem mais rico do Mundo!" Che Guevara


Dez informações sobre a saúde e a medicina em Cuba
Quantas faculdades de medicina têm em Cuba?
Qual a duração do curso de medicina em Cuba
?
Muitas outras questões, no link acima
Ojo:
_Em Cuba há hoje 6,4 médicos para mil habitantes. No Brasil, esse índice é de 1,8 médicos para mil habitantes. Na Argentina, a proporção é 3,2 médicos para mil habitantes. Em países como Espanha e Portugal, essa relação é de 4 médicos para cada mil habitantes.
_A taxa de mortalidade em Cuba é de 4,6 para mil crianças nascidas, e a expectativa de vida é de 77,9 anos (dados de janeiro de 2013). No Brasil, a taxa de mortalidade é de 15,6 para mil bebês nascidos (IBGE/2010).
_ e muito mais... Confira!